EV ChargeOps

Gestão da recarga compartilhada de veículos elétricos em condomínios. Cada recarga ganha dono, a conta segue a tarifa homologada e a IA revisa o valor antes de cobrar. Finalista do Enterprise Challenge 2026 FIAP × GoodWe.

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Finalista do Enterprise Challenge 2026 FIAP × GoodWe. Em 24 de setembro de 2026, o EV ChargeOps foi apresentado à banca da FIAP e da GoodWe e ficou entre os cinco finalistas. O resultado final será anunciado no NEXT, evento da FIAP em São Paulo, em 24 de outubro de 2026.

O desafio

No Enterprise Challenge, a FIAP propõe aos alunos um problema real de uma empresa parceira. Em 2026, a parceira foi a GoodWe, fabricante global de inversores e sistemas de armazenamento de energia, que opera um carregador de veículos elétricos HCA G2 no Energy Innovation Lab, em São Paulo. A pergunta central: como transformar as sessões de recarga de uma infraestrutura compartilhada em dados estruturados, rateio justo e inteligência acionável?

O desafio teve duas etapas. A primeira, de pesquisa, cobriu o contexto de mercado, a base regulatória e a arquitetura da solução. A segunda foi construir a plataforma.

O problema

O Brasil emplacou 223.912 veículos eletrificados leves em 2025, e 81% deles dependem de tomada. A rede pública de recarga cresce, mas mais devagar que a frota: a razão de veículos plug-in por ponto público piorou de 17,9 para 19,6 em um único semestre. A recarga do dia a dia vai para onde o carro dorme, a garagem do prédio.

Nessa garagem, a energia é da área comum e o consumo é individual. Sem saber quem carregou, o custo de poucos se dilui na cota de todos, e a recarga vira pauta de assembleia. Em São Paulo, a Lei municipal 17.336/2020 já exige, em prédio novo, recarga com medição individualizada e cobrança. O carregador existe; falta a camada que transforma cada recarga em conta.

A solução: atribuir, ratear, auditar

O EV ChargeOps é essa camada, desenhada para o HCA G2 da GoodWe sem exigir mudança no hardware. Ele faz três coisas:

  • Atribui. Cada recarga vai para uma unidade do condomínio. A que chega sem dono aparece para o síndico com o valor em reais e o botão para atribuir; atribuída depois, entra na fatura seguinte.
  • Rateia. A energia medida em cada recarga é cobrada pela tarifa homologada pela ANEEL vigente no início da recarga, somada a uma taxa de disponibilidade dividida entre as unidades que aderiram. O cálculo usa aritmética decimal com arredondamento por linha, e o morador refaz a conta na calculadora até o centavo.
  • Audita. A detecção de anomalias roda antes de a fatura fechar. A linha suspeita entra marcada, e quem decide é o síndico.
Tela de entrada de dados: as recargas reais do HCA G2 da FIAP esperando dono, com a energia, o valor e o botão para atribuir a um morador
Tela de entrada de dados: as recargas reais do HCA G2 da FIAP esperando dono, com a energia, o valor e o botão para atribuir a um morador

O que o dado real mostrou

A GoodWe não liberou às equipes a API de desenvolvedor do SEMS, sua plataforma de monitoramento, mas concedeu acesso de leitura à planta do laboratório da FIAP no SEMS+. De lá saiu o histórico do HCA G2: 72 recargas entre 27 de maio e 22 de setembro de 2026, 570,17 kWh e R$ 438,21 de energia pela tarifa homologada. Um único carregador, cerca de 19 recargas por mês.

Todas as 72 chegaram sem dono. O carregador operava em partida automática, e o campo do cartão trazia o número de série do próprio aparelho. Em casa, esse é o modo certo. Num prédio, significa energia que o condomínio pagou e ninguém ressarciu.

Foi o achado central do projeto: o gargalo estava na identidade de quem carrega, e não no transporte do dado. O HCA G2 tem leitor RFID, e um cartão por morador resolve a origem. A identificação diz quem carregou; o ChargeOps diz quanto cada um deve.

Uma IA que só segura o dinheiro quando duvida

Toda abordagem de IA passou por um teste antes de entrar: declarar que dado consome, que saída produz e que decisão habilita. Passaram a detecção de anomalias e a previsão de demanda. A interface conversacional, citada no enunciado como exemplo, ficou de fora, porque não habilitava nenhuma decisão que um painel bem desenhado não habilite.

A detecção tem duas fases: regras estatísticas interpretáveis e um Isolation Forest. A decisão mais importante foi sobre o que cada achado pode fazer. Só segura a cobrança o que põe o valor em dúvida: falha de medição, energia acima do que a bateria comporta, consumo muito acima do histórico do morador, contestação. Carro esquecido no carregador e potência degradada são problemas reais, mas o kWh cobrado está certo, e por isso vão para uma fila de operação que não trava o dinheiro de ninguém. O achado do Isolation Forest entra como sugestão e só retém a fatura depois que o síndico confirma. Na demonstração, as faturas retidas caíram de cinco para duas, e as duas são dúvidas sobre o valor.

Painel da síndica: a fila de cobranças em dúvida, com a linha do tempo da recarga até a decisão e a explicação de cada anomalia
Painel da síndica: a fila de cobranças em dúvida, com a linha do tempo da recarga até a decisão e a explicação de cada anomalia

A detecção é medida por curva de sensibilidade, com anomalias injetadas em intensidades variadas, inclusive abaixo do limiar das regras. Um recall de 100% chegou a aparecer e foi rebaixado a teste de integração: o gerador injetava ociosidade de 5 a 11 horas e a regra dispara acima de 4, então o acerto estava garantido por construção. A curva mostrou onde a segunda fase rende, que é na degradação de potência ainda aquém do limiar. Em outras palavras, manutenção preditiva.

A previsão de demanda para os próximos 7 dias escolhe o modelo por backtest. Quando o gradient boosting perde para a média por dia da semana, a plataforma serve a média e diz na tela que serviu. Previsão que o síndico não consegue explicar em assembleia não embasa decisão nenhuma.

A conta que o morador refaz

Na etapa de pesquisa, a equipe fechou à mão um mês fictício inteiro, com dez recargas e três unidades. Esse mês virou suíte de aceitação: 19 testes reproduzem as três faturas (R$ 53,21, R$ 66,76 e R$ 72,33) e os ajustes de reconciliação (R$ 37,54). Os valores esperados foram copiados do documento da pesquisa, escrito antes do código, e não lidos da implementação.

Quando a conta de luz real chega, a diferença em relação à tarifa estimada vira ajuste no mês seguinte, e fatura fechada nunca é reescrita. Os casos que um prédio de verdade produz estão cobertos: dois carros na mesma unidade, adesão no meio do mês, recarga interrompida, recarga que atravessa a virada do mês e pernoite no carregador.

Extrato do morador: o valor do mês, a energia usada, o melhor horário para carregar e cada recarga com o preço do kWh e o caminho para contestar
Extrato do morador: o valor do mês, a energia usada, o melhor horário para carregar e cada recarga com o preço do kWh e o caminho para contestar

Integração com a GoodWe

O HCA G2 não documenta OCPP, o protocolo aberto do setor, e a API do SEMS é fechada. A resposta foi uma camada de ingestão plugável: cada fonte de dados vira um adaptador que traduz o que recebe para um modelo interno com o vocabulário do OCPP. Trocar de fonte é trocar de adaptador. A ingestão também é idempotente, de modo que a mesma recarga nunca entra duas vezes, venha por onde vier.

Hoje, quem vende rateio para condomínio vende o carregador junto. Com o ChargeOps, o HCA G2 entra nessa disputa sem mudar o hardware. O projeto propõe à GoodWe três caminhos, do mais barato ao mais robusto:

  1. Leitura do histórico do SEMS. Pronta do nosso lado; depende de uma credencial de leitura.
  2. Webhook do SEMS. Endpoint com assinatura HMAC testado do nosso lado; do lado da GoodWe, um item de roadmap.
  3. Borda Modbus com medidor dedicado. Desenhada para onde a cobrança pedir lastro de medição.

Limites declarados

O histórico de seis meses da demonstração é sintético. Ele foi calibrado em 3.395 sessões reais de recarga em ambiente de trabalho (Asensio et al., 2021), com o perfil residencial declarado como premissa da equipe. As 72 recargas reais entram pelo mesmo gateway, lidas do cliente web do SEMS+ com sessão logada; a API de desenvolvedor segue fechada. A borda Modbus ainda não foi verificada contra hardware, e o webhook não foi exposto fora do ambiente de desenvolvimento.

Em números

MétricaValor
Testes automatizados106
Entidades no esquema de dados14
Recargas reais processadas72
Soluções de mercado comparadas5
Respondentes da pesquisa com usuários12

Resultado

A etapa de pesquisa foi entregue em 21 de junho de 2026: três dossiês com fontes primárias (normas baixadas do site de cada órgão, chamadas reais de API com as respostas preservadas), pesquisa com usuários e o esquema de dados que a plataforma usaria sem nenhuma alteração de emergência. A plataforma foi implementada em agosto e reforçada em setembro com a ingestão do dado real. O vídeo pitch de 3 minutos foi gravado e enviado em 25 de agosto.

Em 24 de setembro, apresentei o projeto à banca da FIAP e da GoodWe, num pitch de 4 minutos seguido de 4 minutos de perguntas, e o EV ChargeOps ficou entre os cinco finalistas. O resultado final será anunciado no NEXT, em São Paulo, em 24 de outubro de 2026.

Equipe

Equipe GoodNóis, alunos do 1.º ano de Ciência da Computação (online) na FIAP, 2026: