Site pessoal para médico

O método que uso para construir o site de um médico e por que cada passo melhora o resultado. Entrevista em rodadas curtas, texto rastreável até as respostas dele, design derivado do material dele e conferência da Res. CFM 2.336/2023 antes de publicar.

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O que o site de um médico precisa resolver

Duas coisas, e as duas costumam passar despercebidas por quem encomenda.

A primeira é dizer algo que só aquele médico poderia dizer. "Atendimento humanizado e individualizado" aparece em site de todas as especialidades e não ajuda ninguém a decidir, porque não descreve consulta nenhuma. O que ajuda é o concreto: quanto dura a primeira consulta, o que ele explica que quase ninguém explica, qual mito ele desmente toda semana. Esse material existe na cabeça de qualquer médico com anos de consultório. O trabalho é tirá-lo de lá.

A segunda é a norma. A publicidade médica no Brasil segue a Res. CFM 2.336/2023, que pede itens específicos (nome, CRM, a palavra MÉDICO ou MÉDICA, o RQE de cada especialidade anunciada), veda outros (promessa de resultado, superlativo, paciente identificável) e só admite "antes e depois" sob condições que quase ninguém cumpre (conjunto de imagens com evoluções insatisfatórias e complicações, texto educativo, nenhuma edição). Depoimento de paciente tem regra própria. Nenhum item é difícil de cumprir; o difícil é lembrar de todos na hora de publicar. Por isso a conferência, aqui, é um passo do trabalho com checklist próprio.

O método abaixo existe para resolver as duas. Cada passo vem com o motivo de estar ali. Nada nele é de uma especialidade específica. O que muda de um médico para outro são as respostas da entrevista, e o site sai delas.

Como o trabalho acontece

1. Ler o que já existe antes de perguntar

Cartão de visita, ensaio fotográfico, perfil em rede social. Boa parte da ficha técnica sai daí (nome, CRM, RQE, áreas de atuação, telefone) e vira um bloco de confirmação, em vez de perguntas em branco. É nessa leitura também que verifico quais domínios estão livres e apresento as opções, com o custo anual de cada uma (o .med.br, por exemplo, é exclusivo para médicos e exige CRM no registro).

Por que melhora o resultado: o médico gasta o tempo dele no que só ele sabe, e o que eu tiver lido errado do cartão aparece na confirmação, antes de virar texto.

2. Entrevista em rodadas curtas

O roteiro cobre ficha técnica, trajetória, diferenciais de atendimento, escopo clínico, ensino, logística e identidade visual. As perguntas mais importantes vêm marcadas, para quem tiver pouco tempo começar por elas, e pular o que não fizer sentido faz parte da instrução. Alguns exemplos das que mais rendem:

Descreva sua primeira consulta típica: quanto tempo dura, como você conduz, o que você faz que talvez outros colegas não façam?

Se eu perguntasse a três pacientes seus (ou a quem os acompanha) "por que você não troca de médico?", o que você acha (ou sabe) que responderiam?

Existe algum mito que você desmente toda semana no consultório?

O que te deixa genuinamente irritado na forma como esses pacientes costumam ser atendidos por aí?

As perguntas são de duas naturezas, e o formato da entrevista respeita isso. Há as decisões objetivas (qual domínio, atende por telemedicina, quais fotos, o que entra no escopo anunciado) e há as perguntas de história, como as quatro acima. Um roteiro longo, respondido de uma vez entre atendimentos, devolve as decisões objetivas e engole as de história, que pedem calma. Por isso as duas vão separadas: as decisões num bloco rápido, quase tudo sim ou não; as histórias em rodada própria, uma por vez, por áudio se o médico preferir falar a escrever. Eu transcrevo e organizo.

Por que melhora o resultado: as respostas de história são as que dão voz ao texto. Sem elas, sobra um site tecnicamente correto que soa como qualquer outro.

3. Texto rastreável até uma resposta

Cada parágrafo do site sai de uma resposta da entrevista e continua rastreável até ela. Nada de texto genérico de especialidade. Quando o que escrevo encosta em julgamento clínico (a formulação de um mito, a descrição de uma área de atuação, um sinal de alerta), o trecho volta marcado e numerado, com a pergunta pronta, para o médico aprovar antes de ir ao ar.

Por que melhora o resultado: o médico assina o que é dele, e nada clínico vai ao ar sem passar por quem responde por aquilo.

4. Design derivado do material do médico

A paleta é extraída das fotos e do cartão dele, por agrupamento das cores predominantes e depois refinada a olho. Cada tom tem a origem registrada (qual foto, qual elemento), e cada par de cores em uso passa pelo cálculo de contraste WCAG AA antes de entrar.

Por cima da paleta, o site ganha uma forma própria, tirada da prática daquele médico: um traçado, um instrumento, um gesto que só o consultório dele explica. No exemplo no ar, de uma endocrinologista pediátrica, é a curva de crescimento, que nunca aparece espelhada, porque descer é justamente o que ela passa o dia explicando que não pode acontecer. Em outra especialidade seria outra forma; o que não muda é a regra de que ela precise de justificativa.

Por que melhora o resultado: a identidade fica parecida com o médico, e cada decisão visual tem uma resposta para "de onde veio isso?". Discussão de gosto vira conferência.

5. Conferência da norma como passo do trabalho

Antes de publicar, o site passa por um checklist contra a Res. CFM 2.336/2023:

ItemO que a norma pede
IdentificaçãoNome, CRM e a palavra MÉDICO ou MÉDICA, mais o RQE de cada especialidade anunciada (art. 4º, I), na página principal (art. 6º)
LinguagemSem promessa de resultado, sem superlativo, sem sensacionalismo (art. 11)
Imagens de resultado"Antes e depois" só como conjunto educativo, com evoluções insatisfatórias e complicações, sem edição (art. 14, II)
Casos clínicosNenhum paciente identificável
Valor da consultaSem valor exposto junto a apelo comercial
TelemedicinaAnunciada como modalidade, conforme a Res. CFM 2.314/2022
DepoimentosRegra própria, detalhada abaixo

Um exemplo de como o checklist vira código: a palavra MÉDICO fica em caixa alta no próprio dado, ao lado do CRM, no topo e no rodapé da página. A folha de estilo também aplica caixa alta, mas o que está no HTML sobrevive a uma folha de estilo que não carrega.

Depoimento de paciente pede mais cuidado. A norma permite, com duas amarras: o art. 8º, §3º diz que o relato compartilhado pelo médico "passa a ser considerado como publicação sua", e o art. 14, II, "g" pede que seja sóbrio, sem adjetivo de superioridade e sem induzir promessa de resultado. Por cima vem a LGPD: nome e condição de saúde de paciente identificável é dado sensível e não entra em site aberto, e o cuidado aperta quando o relato envolve um menor.

O procedimento padrão para depoimentos é este:

  • o texto recebido é apenas cortado, nunca reescrito: nenhuma palavra acrescentada nem trocada de lugar, e a única substituição admitida é a troca de um nome próprio por um termo genérico;
  • o original de cada relato fica guardado ao lado do que saiu e por quê;
  • quem escreveu lê e aprova a versão aparada antes da publicação, porque o corte é meu, mas o texto não é;
  • o código tem uma chave que tira a seção inteira do ar num commit, se alguém mudar de ideia, e uma chave por relato: depoimento novo entra desligado e só é renderizado depois da aprovação, nem na prévia.

Por que melhora o resultado: o site pode ter depoimentos, que pacientes leem, sem que o médico responda por uma frase que ele não escreveria.

O que o médico investe

O site custa tempo do médico, e vale dizer quanto, porque é esse tempo que decide a qualidade do resultado:

  • Responder a entrevista. As decisões objetivas cabem numa tarde. As histórias vêm depois, em áudios curtos, no ritmo dele. Não precisa responder tudo.
  • Escolher as fotos e a frase de abertura. A primeira foto da página é a decisão visual mais importante do projeto, e essa eu não tomo no lugar dele.
  • Ler os trechos marcados e responder cada um. Cada um vem numerado, com a pergunta pronta.
  • Se houver depoimentos, pedir a quem escreveu a autorização da versão aparada.

O que fica pronto

  • Site estático, sem CMS e sem banco de dados. Nada para atualizar todo mês.
  • Domínio próprio, registrado no CPF do médico, e não no de quem constrói o site.
  • Dados estruturados (Physician, FAQPage) para o Google entender quem atende, onde e o quê.
  • Fotos convertidas para avif e webp em várias larguras. No exemplo no ar, um ensaio de 36 MB é servido em 960 KB, com as fotos no tamanho certo para cada tela.
  • Imagem de compartilhamento própria, a que aparece quando o link é enviado no WhatsApp ou nas redes.
  • Botões de WhatsApp com uma mensagem por ponto de entrada (topo, seções internas, contato). A secretária reconhece de onde o paciente veio pela frase, sem cookie e sem rastreador, e nenhuma das mensagens carrega dado de saúde.

O exemplo

Dra. Danielle Nolêto, endocrinologista pediátrica em Brasília. No ar desde setembro de 2026. É um caso, não um recorte. O mesmo método serve a consultório de adulto, cirurgia, diagnóstico ou qualquer outra especialidade; o que muda é o que a entrevista devolve.

Quando o site não é o problema

O site é estático de propósito. Não guarda nada, não tem login, não tem banco de dados, e é por isso que ele não custa mensalidade nem quebra sozinho enquanto você atende. Para a maior parte dos consultórios, essa é a resposta certa, e recomendar mais do que isso seria vender trabalho que você não precisa.

Às vezes não é. O que aperta não é a presença na internet: é a agenda que mora em três cadernos, a escala que alguém refaz na mão todo mês, a planilha de acompanhamento que só uma pessoa da equipe entende, o cálculo que se repete dez vezes por dia e erra de vez em quando. Página bonita não resolve nada disso.

Esse tipo de trabalho eu também faço, e parte dele já está no ar:

  • ShiftFit: encaixa profissionais em salas e turnos respeitando compatibilidade de especialidade, com auditoria automática.
  • Pediatria-HRT: plataforma de gestão de uma residência médica: ferramentas clínicas, fórum e gestão acadêmica.
  • PediGrowth: antropometria pediátrica com curvas da OMS, de Síndrome de Down e de Paralisia Cerebral, em nove idiomas.

Vale ser explícito sobre a diferença, porque ela não é de tamanho, é de natureza. Um sistema que guarda paciente tem banco de dados, tem hospedagem, tem custo mensal e precisa de alguém quando para de funcionar às dez da noite. Muda também quem responde pelo dado: publicar um site é uma coisa; guardar nome, telefone e condição de saúde é tratamento de dado sensível pela LGPD, com contrato, controle de acesso e plano para o dia em que algo vazar. Se o software passar a calcular dose ou sugerir conduta, entra ainda a discussão de software como dispositivo médico. Nenhuma dessas portas é intransponível, mas todas se atravessam de olho aberto, e saber onde elas ficam faz parte do trabalho.

Por isso o formato aqui é outro. Escopo conversado caso a caso, prazo e custo definidos depois de entender o problema, e poucos projetos por ano: eu atendo, chefio um centro médico e estudo, então o que eu construo fora disso é o que eu consigo manter de pé depois de entregue. Se o seu caso couber, a conversa começa igual: você me conta o que está travando hoje e eu digo com franqueza se um sistema resolve, se o site já basta, ou se o que você precisa já existe pronto e sai mais barato do que eu construindo do zero.

Para conversar

Se quiser um site assim, ou se o seu caso for o da seção anterior, os canais estão na página de contato. Para o site, vale chegar com o cartão e as fotos que já tiver: é por eles que o trabalho começa. Para o resto, basta o problema descrito como você o contaria a um colega.