·16 min de leitura·
reflexãofilosofiamedicinacarreira

Vida em espera

Frankl chamou de 'existência provisória' a vida no campo, sem data para acabar. Fora dele, médicos, policiais e quase todos nós praticamos uma versão mais confortável: viver para a próxima fase. O problema é que a última não tem próxima.

0:00 / 0:00

Em fevereiro de 1945, num campo de concentração, um prisioneiro contou a Viktor Frankl um sonho. Uma voz lhe dissera que a guerra, para ele, terminaria em 30 de março. Ele acreditou. As semanas passaram, as notícias do front pioraram, e em 29 de março ele adoeceu com febre alta. Em 30 de março, o dia em que a libertação deveria chegar, entrou em delírio. Em 31 de março estava morto. Frankl, que era médico, anotou o diagnóstico que o laboratório daria, tifo, e o diagnóstico que lhe interessava mais: o homem morreu porque a libertação esperada não veio.

Na mesma época, entre o Natal de 1944 e o Ano Novo, Frankl relatou sobre uma mortandade que o frio, a comida e o trabalho não explicavam. A maioria dos prisioneiros tinha se apegado à esperança ingênua de estar em casa no Natal. O Natal passou.

Esses dois episódios têm um parente menos dramático. Frankl define a vida no campo como uma existência "provisória sem prazo". Ninguém sabia quando sairia, nem se sairia. E quem não consegue enxergar o fim do provisório para de viver voltado para o futuro: o presente vira um intervalo que não conta, e a apatia se instala como anestesia.

Há, portanto, dois modos de adoecer de espera. Com um prazo que passa e não cumpre. Ou sem prazo nenhum. Este texto é sobre o segundo, e sobre como a maior parte de nós transita entre os dois. Sem arame farpado, com diploma na parede.

Frankl já saiu do campo antes de nós

Não é preciso pedir licença para levar o conceito para fora do campo, porque o próprio Frankl faz isso três vezes. Compara os prisioneiros aos tuberculosos de A Montanha Mágica, internados num sanatório sem data de alta, vivendo sem futuro e sem meta. Diz que o desempregado está em posição semelhante: a existência dele também se tornou provisória. E, na segunda parte do livro, estende o vazio de sentido às crises de aposentados e idosos. A escala do sofrimento não é comparável, e não pretendo que seja; o que se transpõe é o mecanismo.

O termo tem ainda uma segunda vida na obra. Quando Frankl descreve as neuroses coletivas do seu tempo, a "atitude existencial provisória" aparece como postura escolhida: a de quem vive de impulsos porque não sabe se estará vivo amanhã, e por isso não se compromete com nada que exija tempo. As pessoas de que quero falar parecem o oposto: comprometem-se demais. Mas comprometem-se com a escada, não com o degrau: é uma provisoriedade escolhida que se disfarça de compromisso. Ninguém as trancou. Entraram numa sequência de etapas, e a sequência tem a propriedade curiosa de responder, em cada etapa, à pergunta que Frankl identificou como a mais corrosiva de todas: quando?

Por que o prazo importa tanto

A biologia é menos poética que Frankl, e mais difícil de dispensar. O mesmo choque machuca menos quando vem anunciado: em ratos, o choque sinalizado produz menos úlcera; em humanos, o corpo se estressa mais com a incerteza sobre a ameaça do que com a certeza de que ela vem. E diante de um sofrimento que não acaba, a passividade é a resposta natural do organismo; só o controle a desfaz. Um prazo é uma forma de controle, a única que sobra a quem já não controla mais nada: saber quanto falta.

A criminologia oferece o experimento natural mais próximo do campo. A Inglaterra criou, em 2005, uma pena "para proteção pública" sem data de término: o preso cumpria um mínimo e depois ficava à espera de que um comitê o considerasse seguro. Entre esses presos, registraram-se 550 episódios de autolesão por mil, contra 324 entre os que cumpriam pena determinada. Mais do que o dobro da taxa entre os condenados à prisão perpétua. Leia de novo: a pena perpétua machuca menos do que a pena sem prazo. A perpétua, pelo menos, responde à pergunta.

A escada é uma armadilha confortável porque responde a essa pergunta a cada degrau. Mas cada degrau é um "30 de março": o prazo chega e não traz o que prometia. E, depois do último degrau, não há mais data nenhuma para esperar.

A máquina de fabricar prazos

Sou pediatra há vinte anos e oficial médico da Polícia Militar há quase tanto tempo. Conheço duas escadas por dentro, e elas se parecem mais do que gostariam.

A escada do médico começa cedo: vestibular, internato, residência, título de especialista. Cada fase é dura, e cada fase é suportada com a mesma frase: quando eu passar para a próxima, aí sim. Quem estudava a socialização do estudante de medicina nos anos 1950 já descrevia o fenômeno: o treinamento ensina a conviver com a incerteza, mas cada etapa promete resolver a ansiedade da anterior e apenas a desloca para a frente. O residente não sonha com a medicina. Sonha com o fim da residência.

O problema é o dia seguinte. A transição da residência para a prática é hoje estudada como choque em si: o médico sai do lugar onde tinha supervisão, colegas, horário e um prazo, e entra num lugar que não tem nenhum dos quatro. Um inquérito com milhares de médicos americanos, divididos por fase de carreira, encontrou o que a escada esconde: a primeira década é a fase de menor satisfação com a escolha de ter sido médico. E o meio de carreira é pior de outro jeito: 12,5% dizem que pretendem deixar a medicina nos próximos dois anos, contra 4,8% no início. Mas ficam.

Por que ficam? Porque a instituição é, no vocabulário da sociologia, gulosa: quer a pessoa inteira e se ressente de qualquer vida que ela tenha fora dali. O conceito foi pensado para ordens religiosas e para o exército, e já foi aplicado aos médicos. A vocação completa o cerco: quem tem vocação sacrifica mais e sai menos; a literatura sobre calling diz que ele ao mesmo tempo prende e enobrece. O que os manuais de comportamento organizacional chamam friamente de "compromisso de continuidade", ficar porque sair custa caro demais, aparece no médico vestido de nobreza. A identidade colada ao papel fecha a saída lateral; sobra a saída para cima. É assim que uma instituição gulosa vira máquina de prazos: quando não se pode sair, só se pode subir.

Frankl tem a peça que fecha o mecanismo, e ela vem de antes do campo. Em 1933 ele descreveu a "neurose de desemprego" e a atribuiu a uma "dupla identificação errônea: estar sem emprego era considerado o mesmo que ser inútil, e ser inútil era considerado o mesmo que levar uma vida sem sentido". O médico sofre a identificação invertida. Com o jaleco, é alguém. Sem o jaleco, não sabe quem é. Por isso não tira. Tchekhov, que era médico, escreveu esse personagem: o jovem doutor Stártsev, que chega idealista a uma cidade de província e termina gordo, rico e contando notas à noite, sem lembrar quando deixou de querer alguma coisa.

A escada do quartel

A escada do policial tem outros nomes e o mesmo desenho: academia, cursos de carreira, promoções, reserva.

Dino Buzzati escreveu o romance dessa escada. O tenente Drogo é enviado a uma fortaleza de fronteira para cumprir alguns meses e fica a vida inteira, esperando um inimigo que não vem. Quando o inimigo finalmente vem, Drogo está velho demais e é mandado embora antes da batalha. O Deserto dos Tártaros é, entre outras coisas, um manual sobre como um prazo vago ("logo me transferem") se converte em existência provisória sem que ninguém perceba a troca.

A pesquisa empírica confirma o que o romance intui. Um painel de 1.365 homens acompanhados por nove anos mostrou que eles passam a avaliar o próprio trabalho como mais pesado à medida que se aproximam da idade fixa de aposentadoria, e o achado foi replicado depois. É o "contar os dias" medido com régua. E uma coorte de oficiais seniores britânicos em vias de se aposentar trouxe o tema que a corporação costuma calar: perda de identidade.

Mas aqui há uma tensão que não consigo resolver. O maior estudo longitudinal de suicídio em policiais (3.228 agentes de uma cidade americana, acompanhados por mais de cinquenta anos) encontrou risco 8,4 vezes maior na ativa do que entre aposentados e desligados. O risco se concentra no serviço, não na reserva. Talvez a reserva, para muitos, seja alívio e não abismo; talvez o que mata seja justamente o período em que se espera por ela. Não sei. E ninguém, até onde a minha pesquisa alcançou, comparou médicos e policiais lado a lado: o paralelo é meu.

O que as duas escadas compartilham, porém, me parece sólido: uma instituição gulosa, uma identidade fundida ao papel, e uma sequência de degraus em que cada um promete o que o seguinte vai precisar prometer de novo. O último degrau profissional, o título ou a reserva, é o primeiro em que a instituição não promete mais nada. É ali que a máquina de fabricar prazos para de funcionar, e ninguém nos ensinou a fabricar sentido sem prazo.

A última fase não promete nada

A escada tem, contudo, um degrau depois do profissional, e ele é o que dá ao problema a sua gravidade. Depois do título, depois da reserva, depois dos filhos criados, depois do "quando eu tiver tempo", o que chega não é a fase melhor, mas aquela em que o corpo deixa de ser um instrumento confiável.

A gerontologia contemporânea chama isso de quarta idade: não uma faixa etária, mas a velhice definida pelo corpo que falha, a que ninguém planeja. A pessoa que passou a vida emprestando sentido da próxima fase chega à fase final e descobre que ela não tem próxima. É a existência provisória na sua forma mais pura: sem prazo, e sem a ilusão de que o prazo traria algo.

Frankl, aqui, tem uma resposta, e é uma resposta que me incomoda. No posfácio de 1984 ele escreve que "não há razão para ter pena de pessoas velhas. Em vez disso, as pessoas jovens deveriam invejá-las": em vez de possibilidades no futuro, os velhos têm realidades no passado: tudo o que já viveram, guardado e a salvo. E arremata com a frase que virou lema: "ter sido é a mais segura forma de ser".

Outro sobrevivente de Auschwitz discorda. Jean Améry escreveu um livro inteiro sobre envelhecer e dedicou um capítulo ao corpo que se torna estranho ao próprio sujeito: não um acervo a salvo, mas um hóspede que não se reconhece no espelho, que o olhar dos outros já classifica antes que ele fale, e que vai perdendo, uma a uma, as fontes de prazer e de obediência em que sempre confiou. Améry não oferece saída; recusa-se a oferecer.

Digo isso com cuidado, porque devo muito a Frankl. Mas a segurança do "ter sido" é a segurança do que não pode mais ser perdido. E o que não pode mais ser perdido também não pode mais responder a nada. O passado guarda; não age. A meu ver: o apego ao que fomos é apego como qualquer outro, e serve, como qualquer outro, para não olhar o que está aqui: o corpo que degenera, que já não é fonte confiável de gratificação. Valorizar o passado não cura a espera; apenas a vira de costas, para trás em vez de para a frente. Continuamos fora do presente. Améry tem razão em recusar consolo. O que segue não pretende consolar. Pretende dar uma postura. E, curiosamente, a melhor peça para construí-la também é de Frankl, só que não a do passado guardado.

O que se faz com isso

Não tenho uma síntese que feche a tensão, e desconfio de quem tem. O que tenho é uma proposta, para considerar e não para seguir, costurada com fios que não são meus e que nem sempre concordam entre si.

Ela começa por uma distinção que já me ocupou aqui: há dois modos de estar bem. Um é o do prazer, do conforto, da satisfação, e a escada o promete em cada degrau: quando eu terminar, aí descanso. O outro é o do florescimento: exercer as próprias capacidades em direção a algo que importa. Aristóteles chamou isso de eudaimonia; a psicologia contemporânea aprendeu a medir, e o que mede é desconfortável. Numa amostra nacional de adultos americanos, cerca de 17% floresciam, e 12% definhavam: sem doença mental diagnosticável, mas sem vitalidade nem direção. Definhar é talvez o nome clínico mais próximo do que Frankl chamou de existência provisória. E quem pontua baixo em senso de propósito morre antes, em coortes grandes, em qualquer idade, aposentado ou não.

O que me importa nesses achados é a gramática. Florescer não é um estado que chega depois. É uma atividade, o exercício de capacidades, e atividade só acontece no presente. Não dá para florescer amanhã. É exatamente o oposto da lógica da escada, que adia o viver para o degrau em que, finalmente, se poderá viver.

Frankl entra aqui melhor do que no capítulo dos velhos. A resposta dele ao campo não foi a esperança de sair; ele viu a esperança matar. Foi a convicção de que o sentido não é inventado nem adiado: é encontrado na situação concreta, e cada situação faz uma pergunta que só aquela pessoa, ali, pode responder: com uma obra, com um encontro, com a atitude diante do que não se pode mudar. Essa terceira via é a que serve ao velho que Améry descreve, muito mais que o passado guardado: o corpo que falha é uma situação, e situações fazem perguntas. É também um propósito sem prazo por construção, porque o degrau seguinte não é uma situação, é uma expectativa, e ninguém responde a uma expectativa.

Se eu junto os dois fios, sai algo assim: não pergunte o que você vai fazer quando a fase acabar. Pergunte o que, nesta fase (neste plantão, neste curso, nesta enfermaria, neste corpo), só você pode fazer e que continuaria valendo se a próxima fase nunca viesse. A resposta tende a ser pequena. Um paciente bem examinado. Um residente que saiu da visita entendendo algo que não entendia. Um subordinado tratado como adulto. Uma página escrita. Pequeno não é pouco: é o tamanho que cabe numa semana, ou dia, esses são a unidade de tempo sobre a qual a escada não tem jurisdição.

Quanto ao modo, três tradições que pouco têm em comum dizem a mesma coisa. Há uma espera que é atenção: o servo junto à porta, pronto para abrir ao primeiro toque, presença afiada em vez de adiantamento. Há um ofício que se cumpre sem horizonte de vitória, como o médico da cidade em quarentena que, perguntado o que é lutar contra a peste, responde: honestidade, fazer o seu trabalho. E há uma fidelidade ao dia repetido: a roupa que não se gasta, contra a roupa engomada da esperança, guardada para um dia que não chega. Atenção, ofício, repetição. Isso não chega a ser um programa, mas é uma postura, e a postura tem a vantagem de caber em qualquer degrau, inclusive no último, em que o corpo já não promete nada e ainda assim faz perguntas.

A escada merece uma defesa antes do fim. Prazos funcionam: marcos temporais nos movem, e quem já foi residente sabe que o fim da residência foi, em muitos dias, a única coisa que segurou. A proposta não pede que se abandone o prazo, e sim que se deixe de emprestar sentido dele, de tratar a próxima fase como a única razão pela qual esta aqui vale. O prazo pode continuar sendo ferramenta. Só não pode ser fiador.

Sêneca foi mais curto do que eu: a maior perda da vida é o adiamento.

A escada nos ensina a viver no degrau seguinte. O último degrau não tem seguinte, e não se aprende a estar nele chegando lá. Aprende-se em cada um dos anteriores, ou não se aprende.

Referências

Frankl

  1. Frankl VE. Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração. Trad. Walter O. Schlupp e Carlos C. Aveline. 60ª ed. Petrópolis: Vozes/Sinodal. (Seção "Análise da existência provisória"; o compositor F—; Natal de 1944; Parte Dois, "O vazio existencial"; Posfácio de 1984.)

Prazo, incerteza e controle 2. Weiss JM. Somatic effects of predictable and unpredictable shock. Psychosom Med 1970;32(4):397-408. 3. de Berker AO et al. Computations of uncertainty mediate acute stress responses in humans. Nat Commun 2016;7:10996. 4. Maier SF, Seligman MEP. Learned helplessness at fifty: insights from neuroscience. Psychol Rev 2016;123(4):349-367. 5. Crewe B. Depth, weight, tightness: revisiting the pains of imprisonment. Punishment & Society 2011;13(5):509-529. 6. Prison Reform Trust. Nota sobre as penas IPP (Imprisonment for Public Protection), 23/06/2016: autolesões por mil presos, IPP × pena determinada × perpétua (base Ministry of Justice). 7. Dai H, Milkman KL, Riis J. The fresh start effect. Manag Sci 2014;60(10):2563-2582.

Medicina 8. Fox RC. Training for uncertainty. In: Merton RK, Reader G, Kendall PL (eds.). The Student-Physician. Cambridge: Harvard University Press, 1957. p. 207-242. 9. Dyrbye LN et al. Physician satisfaction and burnout at different career stages. Mayo Clin Proc 2013;88(12):1358-1367. 10. Coser LA. Greedy Institutions: Patterns of Undivided Commitment. New York: Free Press, 1974. 11. Bunderson JS, Thompson JA. The call of the wild: zookeepers, callings, and the double-edged sword of deeply meaningful work. Admin Sci Q 2009;54(1):32-57. 12. Tchekhov A. "Ionitch". In: O beijo e outras histórias. Trad. Boris Schnaiderman. São Paulo: Editora 34.

Polícia 13. Buzzati D. O deserto dos tártaros. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 14. Ekerdt DJ, DeViney S. Evidence for a preretirement process among older male workers. J Gerontol 1993;48(2):S35-S43. 15. Damman M, Henkens K, Kalmijn M. Late-career work disengagement: the role of proximity to retirement and career experiences. J Gerontol B 2013;68(3):455-463. 16. Jones M, Noble J, Delpratt N. RESLEAPS: retirement of senior law enforcement officers. Front Psychiatry 2025;16:1722156. 17. Violanti JM et al. Buffalo police cohort 1950-2005: suicide in active versus retired/separated officers. Int J Emerg Ment Health 2011;13(4):221-228.

Velhice 18. Higgs P, Gilleard C. Rethinking Old Age: Theorising the Fourth Age. London: Palgrave, 2015. 19. Améry J. On Aging: Revolt and Resignation. Trad. John D. Barlow. Bloomington: Indiana University Press, 1994. Caps. "Stranger to Oneself" e "The Look of Others".

Florescimento e propósito 20. Aristóteles. Ética a Nicômaco, livro I (a eudaimonia como atividade da alma conforme a virtude). 21. Keyes CLM. The mental health continuum: from languishing to flourishing in life. J Health Soc Behav 2002;43(2):207-222. 22. Hill PL, Turiano NA. Purpose in life as a predictor of mortality across adulthood. Psychol Sci 2014;25(7):1482-1486. 23. Alimujiang A et al. Association between life purpose and mortality among US adults older than 50 years. JAMA Netw Open 2019;2(5):e194270.

Filosofia e literatura 24. Sêneca. Sobre a brevidade da vida (De brevitate vitae), IX.1. 25. Weil S. A espera de Deus (Attente de Dieu, 1966). 26. Kierkegaard S. A repetição (1843). 27. Camus A. A peste. Trad. Valerie Rumjanek. Rio de Janeiro: Record.

Posts relacionados

Se quiser ser avisado quando eu publicar algo novo, deixe seu e-mail. Sem spam, sem frequência fixa — só um aviso quando tiver algo que valha a pena ler.